20
nov

1986


Voltando pra casa, no aeroporto de Congonhas, São Paulo, deparo-me na estante da livraria com a edição número 2 da Rolling Stone brasileira. Na capa, os olhos azuis de um Iggy Pop sarado me convidam, ou melhor, me obrigam a comprá-la.

Além da matéria feita com o líder sessentão dos The Stooges num show em Buenos Aires, a revista traz matérias incríveis sobre Tom Zé, sobre a Cientologia – aquela religião maluca daquele maluco do Tom Cruise - sobre os erros e acertos de Gil no ministério da cultura, uma sobre Stacy Fergunson, aquela loira gostosa do Black Eyed Peas, entre outras coisas bacanas mais. Dentre elas, uma que me chamou a atenção e me tocou de um modo especial: sobre o ano de 1986, o ano de ouro do rock brasileiro. Ano em que eu despertei pra música de maneira singular, influenciado pelos discos de Djavan, Caetano e Chico Buarque de meu pai, os do Pink Floyd, Supertramp, The Cure e Dire Straits do meu irmão e os dos Titãs, Paralamas e Plebe Rude da minha “tchurma” precoce dos Maristas. Foram discos como “Selvagem?” dos Paralamas, “Dois”, da Legião, “Capital Inicial”, do Capital, “Vivendo e Não Aprendendo”, do Ira!, “O Concreto Já Rachou”, do Plebe Rude e “Longe Demais das Capitais”, do Engenheiros do Hawaii que me fizeram querer aprender a tocar violão. Creio que muito da sonoridade honestamente pop que nós, do Jammil incorporamos à nossa estética “axé” vem da forma voraz com que ouvia esses Lps, assim como Beto e Tuca também o fizeram.

Gosto de música cantada em português. Por isso, talvez, sempre cultivei de maneira mais afetuosa as bandas brasileiras que as importadas. E dia desses participamos de um festival em Sauípe, na Bahia, o Sauípe Fest, no qual tocamos no mesmo dia em que o Capital. É sempre bom dividir o palco com bandas que participaram efetivamente da nossa formação musical. Tocar com bandas como Paralamas, Titãs, Biquíni e Capital nos remete ao tempo das garagens, dos recreios da escola, dos primeiros beijos, paixões e excessos. Escrevo ouvindo “Índios”, do Legião, que, soube agora, através da matéria da revista, foi a última letra a ser escrita e gravada pela banda no álbum “Dois”. Disco co-produzido por Carlos Savalla, curiosamente, o produtor do nosso primeiro CD, o “Tanta Coisa Mudou”, de 1997. Muitos dos nossos fãs atuais nem haviam nascido em 86. Não tiveram a oportunidade de cantar no chuveiro “Tempo Perdido” ou “Música Urbana” aos berros. Mas há tempo pra tudo.

Ainda hoje os álbuns clássicos dessas bandas são muito bem vendidos. Vale a pena comprá-los e conhecer o filé mignon do BRock. Parte que foi pedra fundamental pra minha formação musical e de muitos que hoje sobem em um trio e se orgulham de terem visto, vivido e ouvido uma geração completamente especial e única na história da música brasileira.

Que a força esteja com vocês!

Ass: Manno Góes

postado por: manno



10
nov

Ih!!! F… O Jammil Apareceu!!!


Finalmente, depois de anos fora do ar, nosso site está de volta! De cara nova e cheio de detalhes maneiros pra navegar. Isso graças ao esforço de nossa querida amiga e assessora para assuntos aleatórios, Cris Ribeiro. Deixa eu falar um pouco sobre Cris: O sonho dela era ser Joelma, cantora do Calypso. Mas como ela nunca arranjou um Chimbinha que prestasse, conseguiu um bico de escrava na Carreira Solo, empresa que administra o Jammil, capitaneada por Paulo Borges e Manoel Castro.  Era louvável o esforço de Cris para conseguir o mínimo de nossa atenção para construir esse site. Ela ligava, implorava, xingava e mandava recados desaforados para que nós respondêssemos as perguntas da biografia, conferíssemos a discografia, etc, etc, etc…

Até que finalmente ela tomou a sábia decisão de arregaçar as mangas e fazer tudo do jeito dela, partindo das idéias que tivemos nas primeiras conversas sobre o site. Some-se a isso algumas visitas em meu apartamento altas horas da madrugada, exigindo que eu acompanhasse todo o processo. O que despertou uma certa suspeita entre os porteiros do meu prédio, que desconfiaram que havia um romance rolando entre nós dois… Ainda bem que ela e seu Totônho - zelador de 72 anos que trabalha aqui - assumiram o namoro e desfizeram qualquer pensamento maldoso que pudesse existir sobre nós dois. É lindo ver Cris e Seu Totônho andando de mãos dadas no Parque da Cidade, comendo churros com doce de leite aos domingos e dançando gafieira no baile da Cruz Vermelha aos sábados, sabendo que tudo começou por causa do nosso site. Ah! O amor é lindo! Como é lindo o nosso site, Cris. Colorido, alegre, leve, dinâmico. A cara da gente. E por isso que eu quero estrear esse blog, o nosso Diário Oficial, agradecendo à você, Cris Ribeiro. Sem você, este site estaria ainda adormecido, estacionado, parado. E você nem imagina como eu sei como será divertido passar o tempo contando aqui as aventuras e desventuras da nossa banda. Revelando detalhes curiosos dos shows, das viagens, dos “micarins”. Desnudando para as pessoas que curtem nosso trabalho o nosso dia a dia. Sempre com leveza e de forma divertida. Nada de papo cabeça. Acho muito chato esse negócio de artista achar que tem o direito de opinar em blogs sobre tudo, desde eleição até remédio pra dor de barriga. Nada disso. Nosso blog será assim como esse texto. Descontraído, irreverente, meio irresponsável. A parte cabeça ficará no link chamado On The Rocks, no qual daremos opiniões sobre filmes, livros, shows, discos, entre outras coisas. E o que mais queremos é que vocês, internautas, participem. Que dêem sugestões. Que opinem. Que critiquem. Aqui é nossa casa. E vocês estão convidados a fazerem parte dela.

Muito obrigado, Cris. Com todo respeito à Seu Totônho, você é uma delícia!!! E viva o Viagra !!!

seu Tôtono indo pescar (sem vara, claro) (Seu onho indo pescar. Sem vara, claro)

postado por: manno