fev
Leontopithecus rosalia
O carnaval de 2008 será incrível!
Porque o de 2007 já foi.
Passou.
Foi ótimo, maravilhoso, perfeito. Blá, blá, blá, blá, blá.
Quem não sabe disso?
Então, pra quem pedia e esperava que eu falasse aqui no Blog sobre o carnaval de 2007, desculpe. Minha cabeça já está no de 2008…
A não ser que seja pra eu dar uma sacaneadazinha… Falar, tipo assim, dos amigos doidões que pagaram mico…
Porque carnaval sem mico é igual a Jardim Zoológico sem leão velhaco bocejando dentes podres ou sem macaco escroto pegando no bingolim: Não tem a menor graça!
Carnaval tem que ter mico. Pra gente rir e tirar xaveco depois das asneiras dos amigos bebuns.
Teve um amigo meu que resolveu mijar logo no muro de um posto da polícia na Barra. Um policial viu o infeliz no ato e gritou, com toda a simpatia ensinada nas academias militares: “Ô, palhaço! Que merda é essa que você pensa que está fazendo aí, hein, estrupício?”. Ele, coitado, prontamente respondeu na maior inocência e cara de pau do mundo, com seu sotaque absurdamente paulistano: “não é merda não, seu guarda. É só xixi, ô, mêu”. Hahahahahaha!!! Tadinho. Passou a segunda-feira gorda de carnaval inteirinha com balde d’água, sabão e escovão na mão lavando módulo policial.
Outro amigo viu de dentro de um bloco nana-bacana o caseiro magrelo e banguelo de sua fazenda se apertando todo na pipoca, tomando tapa de tudo que era lado e perguntou, só de sacanagem: “E aí, fulaninho? Tá se divertindo aí, hein, sacaninha? Tá saindo em que bloco?”. O caseiro, sem perder a esportiva nem desrespeitar o patrão respondeu na lata, pulando ao som do trio do Chicletão: “Tá massa, Dotô! Saí em dois “broco” já: No NU OUTRO e no INTER”. Meu amigo, surpreso, arregalando os olhos, comentou, cheio de simpatia: “Sério? Que beleza, véio”. O caseiro finalmente mandou, cheio da manguaça: “É, seu pôrra… NU OUTRO lado da corda e no INTERvalo de um broco pro outro”. E tome-lhe tapa e cotovelada no caseiro magrelo e banguela que ria pra se acabar com sua garrafinha de capêta na mão…
Um outro, queridíssimo, um doce de gente, veio passar seu primeiro carnaval na Bahia com a esposa. Direto do interior de Minas, uai. Resolveu sair quinta em um bloco, sexta em outro, sábado em outro, domingo em outro e por aí vai… Cada dia um abadá diferente. O ruim era que as cores do abadá do sábado coincidiam com as cores do abadá da segunda em outro bloco, o da terça era igual ao da sexta, uma confusão só… E eu ainda avisei: “rapaz… deixa de maluquice…”. Mas nada! Ele queria porque queria curtir um pouquinho de cada banda, de cada bloco, de cada segundo, de cada percurso. Havia comprado um dia de Asa, um de Chiclete, um de Ivete, um de Babado, um de Jammil e um de Timbalada. Misturou o Reino da Folia com a Central do Carnaval e se jogou na bagaceira. Resultado: Na quinta foi pro Cocobambu com o abadá que era pra sair no Balada no Domingo. O segurança do Coco parou o casal e disse: “vocês têm que sair do bloco, senhor. Estão sem o abadá correto”. Ele, mineirinho, jeitosinho, dengosinho, disse: “Saio não, moço. Que trem de sair é esse aí? Saio nem que a vaca tussa, sô.” O segurança rebateu: “Sai sim, senhor. Infelizmente vocês vão ter que sair.” Muita cachaça na cabeça e “Quebraê” fazendo todo mundo se acabar no bloco, o mineirinho perdeu as estribeiras e mandou o segurança pastar. Pois bem. Ele não só foi retirado do bloco, como seus abadás foram rasgados e o casal se viu, em plena quinta-feira, primeiro dia de carnaval, sem poder sair mais nem na quinta com o Asa, nem no Balada no Domingo, com o Jammil, pois seus abadás acabavam de ser destroçados. “Tem nada não, amor”, disse o mineirinho à esposa. No dia seguinte, na sexta, novo vexame: Crentes que iriam sair com o Babado Novo no Eu Vou, lá estavam os dois incautos com os abadás do Coruja no bloco errado, quando um segurança parrudo três-por-quatro-criado-com-mingau-de-tapioca ordenou: “Vocês vão ter que sair do bloco”. Novo perrengue, discussão e abadás lascados. Pra piorar a situação, ao sair do Eu Vou sem ter mais os abadás da segunda, o casal teve que passar pelo beco da Caixa Econômica na Barra, tradicional e divertidíssimo ponto gay do carnaval da Bahia. Uma gorda baranga e suada viu o casal passando, puxou a esposa do mineirinho pelo braço, a chamou de gostosa e tascou-lhe um chupão daqueles em que a língua consegue virar serpente, invadindo uma boca que não deveria invadir. Ela – a esposa – reagiu prontamente. Com nojo e raiva deu um tapão sem dó na cara da gorda. Esta, por sua vez, olhou pra cara de espanto do meu amigo mineirinho que só sabia dizer “calma, gente, calma, gente, calma, sô”, e rumou-lhe um direto de direito no rosto que arrancou-lhe dois dentes e o arremessou ao chão. A turma do “deixa disso” apartou a briga e o conduziu a um posto médico, onde ele foi prontamente atendido. No dia seguinte ele me ligou: “Pôrra, Manno. O carnaval da Bahia é uma merda. Não consegui sair em bloco nenhum, perdi meu dinheiro, dois dentes e ainda apanhei de mulher”. Eu não consegui abafar o riso e ainda mandei: “Pára com isso, né? A mulher nem era tão mulher assim , pôrra…” Ele me mandou ir à merda e desligou o telefone na minha cara. Espero que faça as pazes comigo depois de ler este texto…
E por falar em posto médico, essa eu tenho que contar citando o nome do personagem envolvido na história: Coelho, guitarrista do Biquíni Cavadão. Que não é só um excelente compositor, guitarrista e melhor amigo: É um dos seres humanos mais incríveis, inteligentes, educados e divertidos que eu conheço. Na segunda-feira de carnaval ele havia dado uma canja sensacional com a gente ao lado de George Israel, do Kid Abelha, no Balada. Na terça, sem ter que dar canja nem nada, ele resolveu virar folião. Tomou de tudo um pouco e fez tudo que tinha direito. Quando o bloco acabou, entrou comigo na Topic que nos levaria até nosso camarote, a Casa Dos Praieiros, pra que terminássemos nosso carnaval lá. Eis o ocorrido: Perto da Casa Dos Praieiros a Topic pára. Nosso segurança, galã e cavalheiro, o querido “Babe”, abre a porta e diz: “Chegamos”. Coelho pula apressadíssimo do carro, guitarra pendurada nas costas, e caminha direto em direção a um posto médico que ficava bem ao lado do nosso camarote. Ele entra no posto com a maior cara de doido e encara imediatamente uma enfermeira novinha , perguntando pra ela: “Aonde é que eu pego uma birita, cara?” A enfermeira reage, espantada: “Como assim, senhor?” Ele repete impacientemente: “Aonde é que eu pego uma birita, cara?”. A enfermeira responde, educadamente: “aqui nós não temos birita, senhor”. Ele olha pra dentro do posto médico e vê um bocado de gente deitada e gemendo em macas. Eu, que havia corrido atrás dele juntamente com Cris Ribeiro e Gaby, preocupadíssimos, cheguei justamente neste instante e perguntei: “Qual foi, Coêio? Tudo bem, cara?”. Ele respondeu, na lata: “Tudo bem nada, Manno Góixxx. Esse seu camarote tá o maior caidaço, cara. Uma merda. Não tem birita, cara. O abadá da recepcionista é horrível, cara. Parece uma médica, cara. Tá uma merda isso aqui, cara. Só tem gente fodida dormindo aqui, pôrra. Aê, Manno Góixxxxxxxs.Vamos cair fora daqui, cara. Aê. Vamo pro Fat Boy Slim, cara”. hahahahahahahahahahahha
Isso é o carnaval da Bahia…
E perguntaram pra uns amigos do Coelho quando estes voltaram pro Rio:
- E aí, moçada… O pessoal gostou do carnaval da Bahia?
Um deles respondeu, doidaço:
- Gostou nada, cara! O pessoal ADORARAM!!!
Outro ouviu a resposta e reagiu prontamente:
- Que pôrra de adoraram, cara! Tá maluco, é? O pessoal AMARAM!!!!!!!!!!!
Hahahahahahahahahahaha
Que vocês tenham amado o carnaval de 2007! Porque eu já estou adorando o de 2008….
E assim vivemos felizes para sempre…
Manno Góes
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