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A ópera do Mallandro

Em entrevistas, eu, Tuca e Beto frequentemente afirmamos o privilégio que foi termos sido adolescentes em Salvador na década de oitenta. Acompanhamos com uma viola na mão e um cigarrinho barato na outra, escondidos dos nossos pais, o surgimento do novíssimo rock nacional, representado pelo IRA, Capital, Biquíni,Plebe Rude, Legião, Paralamas, Barão, Titãs, ao mesmo tempo em que vimos surgir um original formato de se fazer música de carnaval, através de bandas e artistas como Chiclete, Luis Caldas, Margareth Menezes, Banda Beijo, Cheiro de Amor. O que derrubou paradigmas e preconceitos musicais, abrindo novos horizontes e descobertas. E possibilidades.
Bons tempos aqueles dos oitenta… ou não ?
Está disponível no My Space o polêmico e curioso curta metragem do diretor André Soares chamado “A ópera do Mallandro”.
O curta é o seguinte:
Quando Chico, um garoto (Michel Joelsas, de O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias) se vê obrigado, em sua última prova de recuperação na escola, a escrever um texto em apenas quinze minutos, o enredo do filme descasca a cebola do tempo e o trash dos anos oitenta se revela e explode na tela como referências para o processo criativo do guri, através de personagens, situações, símbolos e características típicas daquela década divertida e louca. Tudo embalado com versões de impagáveis sucessos do Sérgio Mallandro e outros hinos inesquecíveis da época.
Todas as alusões do curta contém elementos que marcaram a década de oitenta. Desde a primeira cena, quando Chico - com o seu cabelo mullet, camisa do Twisted Sister e tênis cano longo All Star - aparece brincando de Aquaplay no seu quarto sem notebooks ou carregador de celular, decorado com pôster do Kiss, bonequinho do ET e cama forrada com lençol xadrez.
Tem um elenco de peso: Wagner Moura ,Lázaro Ramos (também produtor), Lúcio Mauro Filho, Ângelo Paes Leme, Tais Araújo, Luciano Szafir, Jair Oliveira, Edmilson Barros, entre outros.
O curta recebeu duras críticas. Apanhou mais do que mula velha empacada. Teve gente da imprensa que chegou a dizer que foram os vinte minutos mais inúteis que perderam na vida. Ah! Que exagero! Eu acho que as pessoas estão levando tudo a sério demais. E perdendo a chance de simplesmente se divertirem. Eu - como adulto oriundo desta década, me identifiquei completamente com o personagem do Michel. Adorei o filme. Achei uma homenagem simpática, delicada e legítima aos anos oitenta.
Conheço um tantão de gente que acha que os anos oitenta foram uma merda, uma ópera-bufa da história do Brasil. Discordo completamente. Herdamos a consciência política dos nossos pais que lutaram contra a ditadura. Cumprimos nosso papel cívico quando pintamos o rosto e derrubamos um presidente corrupto. Colocamos a esquerda no poder pela primeira vez e estamos aprendendo a criar nossos filhos como amigos próximos da gente. Acredito que a geração que está por vir cumprirá seu papel na sociedade com a estrada da democracia desmatada, aberta e desvirginada por representantes desta década.
As cores e as flores dos anos oitenta são muito mais berrantes do que as expostas no curta do André. Eu ri à toa com as interpretações carinhosas e sinceras da galera do filme. Lázaro Ramos, como sempre, dá um show à parte na deliciosa cena do desafio entre gangues (o bom humor é sempre arma inteligente pra vencer rivais supostamente mais bem preparados). A Tais Araújo encanta de cabelo rosa. A porta dos Desesperados representada por banheiros químicos é ótimo. Os arranjos pras músicas do Sérgio Mallandro são maravilhosos. Músicas que, aliás, como tudo que é trash, de tão ruins, se tornam excelentes! Quando vocês descobrirem quem representa o Michael Jackson vão ficar de cara! Agora, foda mesmo é o Lucio Mauro Filho como Sidney Magal. E Farofa fá é uma música maneira pra caralho! Vou até sugerir pra banda da gente colocá-la no repertório!
O link pra assistir o curta é o seguinte:
http://myspacetv.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoid=33888477
Brincar de descobrir referências é um passatempo divertido para quando você for assistir o curta de novo. Eu encontrei Flashdance, Mara Maravilha, Laranja Mecânica, Rock, Bozo, o break, Ozzy Ousborne…Vou assistir de novo outro dia desses. Certamente encontrarei mais.
Você já tá trintão? Vai se ver nesse filme. Adorando ou não!
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O Carnafacul, em São Paulo, mais uma vez foi incrível. Uma cacetada de gente se divertindo num evento muito bem produzido e administrado por nosso amigo Borguet. Tocar com 39 de febre não é mole, mas a festa ajuda a gente a dar um upgrade no estado físico.
Aquele lance daquele maluco fazendo strike na rua próxima ao lugar do show nada tem a ver com a organização da festa e não pode ser associada à imagem desse evento vitorioso e bacana.Fica aqui nossa solidariedade as vítimas e um puxão de orelha no moleque de dezoito que sei lá porque carga d’água resolveu usar seu carro como bola de boliche. Juízo, aí, curumim!————————————————————————————————————O quê que é Florianópolis, hein? Gente… Me arruma aí um barraco e uma raquete de tênis que eu quero morar lá!
Que sotaque, que culinária, que povo gentil, que mar, que cidade linda cheia de lindas…Até Novembro, Floripa. Difícil que a gente não esteja no Folianópolis…
—————————————————————————————————“… as plantas crescendo. Tudo que está próximo à casa sofrendo muito com as obras, poeira, lascas de madeira, pés de operários etc. Esse jardim, se não der uma praga vai ficar uma beleza. Daqui a dez anos, já mais velhotes, os filhos pelo mundo, gozaremos os dois a sombra das árvores agora plantadas. Não sei se é uma perspectiva brilhante, mas é repousante, creio” – Zelia Gattai
A paulistana mais baiana que a Bahia já acolheu se despediu. Descansa em paz, pois seu jardim está lindo, bem cuidado e eternizado. Aproveita a sombra da árvore com o seu amado ———————————————————————————————-Namastê
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