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Chegou!
Aqui em casa quem me dá as más notícias é o Jack Nicholson. Em forma de card magnético, Jack, com seu sorriso e olhar malignos de “O Iluminado” prende na porta da geladeira as minhas contas pra pagar, os recados de reuniões que eu não gosto e lembretes desagradáveis. Por outro lado, Frank Sinatra me dá as novidades quentes. Cartões postais de amigos que moram longe (sim, muitas pessoas ainda mandam postais ao invés de emails somente), bilhetinhos amorosos e carinhosos de Malu ou de quem quer que seja e lembretes bacanas. Os convites de casamento ficam presos sob Al Pacino, em Scarface. Faz sentido. Nunca se sabe quando um casamento vai ser uma droga. Gosto mesmo é dos convites de formatura, que ficam sob o card de um Lula tosco com um copo de birita na mão.
E hoje, quando cheguei em casa, Frank me deu uma notícia que eu adorei. Escrita em letra de forma, um bilhetinho com letras miúdas dizia: “chegou o DVD do Jammil. Tem uma caixa com cem no escritório pra você”. Opa! Finalmente! Fui correndo buscar a encomenda. Voltei pra casa voando. Fiz tssssss numa latinha de Skol e com uma faca de churrasco na mão tratei de abrir o pacote. Lá estavam eles. Os cem. Lindos! As lâminas de sangue de Dexter. Uma coleção sonora de momentos de minha vida. O anel de Gollum. Meus preciosos.
Abrir um DVD saindo do forno é como despir a mulher de sua vida. Aquele plástico parece nunca querer sair, você na maior agonia, abafado, metendo a boca de qualquer jeito na embalagem pra arrancar aquele invólucro incômodo e desagradável. Nunca entendi porque não fazem embalagens de DVD e Cd como pacotes de chocolate, biscoito, cigarro ou chiclete. Com aquele fiozinho que você puxa sem trabalho nenhum e abre a embalagem rapidinho. Reparou que camisinha também comete esse crime? Sexo seguro já começa logo com gosto de códon na boca. Mas, enfim, o negócio é assim mesmo. O jeito é arrancar o treco de qualquer jeito. Igual a sutiã desses modernosos que só fazem dar trabalho e atrasar o vuco vuco. Dentões presos em uma parte qualquer do plástico e tchac – surge enfim um DVD novinho, fruto de um útero de látex.
Olhando pra capa, a foto do público de mãos pra cima abençoando o cenário mágico da gravação na Ilha dos Aquários em Porto seguro me fez recordar cada passo. Cada canção composta, cada ensaio, cada comentário sobre as músicas apresentadas pra banda. Cada música com seu detalhe maneiro. A construção música por música das levadas de bateria e percussão, linhas de baixo, solos de guitarra, timbres de teclado. A adequação dos tons pra voz de Tuca. A harmonização dos corais. Ah! Lembranças tão boas e divertidas que valeria um registro completo somente dessa etapa.
Um DVD pronto é resultado de um bocado de trabalho, reuniões, discussões, avaliações, dúvidas e ansiedade. Uma paquera com o querer fazer bem feito. Algumas pessoas nos consideram uma banda pop. Mas garanto uma coisa. Somos uma banda de axé, com muito orgulho, obrigado. E os artistas e bandas de axé estão botando pra foder quando resolvem fazer um DVD. Porque baiano bobo nasce morto. DVD é a mídia mais importante pra um artista hoje em dia. O de Ivete não é o mais vendido do mundo à toa. O de Claudinha tá Britney Spears total. Só que sem play back. Com o maior sonzão. O do Asa é uma festa divertidíssima. O da banda Eva é lindo, lindo, lindo. Cada um com uma cara, uma personalidade, uma linha própria. Fui pra gravação do DVD do Cheiro, que tem coisas tão interessantes pra se ver quanto o beijo de Daniela e Alynne – ai, ai, que beijo… O do Araketu, que eu não pude ir assistir, soube que está espetacular também. Vem aí o novo do Chiclete, o de Peixe e o do Axé Brasil 2008. Ou seja, a Bahia está produzindo com muita qualidade ótimos DVDs. Procurando empresas sérias e competentes pra fazê-los, editá-los e lançá-los.
No nosso caso, a empresa que filmou, dirigiu e produziu foi a Maria Bonita. A mesma que fez o nosso DVD anterior, o da Timbalada e o último da banda Eva. O que torna a Maria Bonita pra mim tão fundamental no resultado do nosso trabalho não é somente a competência e zelo dos caras no andamento do processo todo. É a compreensão que eles têm de que estão trabalhando com um produto específico, com a linguagem mágica, vibrante e louca da música baiana. Uma música forte, entorpecente, pra cima. Captar imagens de pessoas que tocam pulando, a mil por hora, acompanhados por platéias ensandecidas e elétricas não é tão simples. Tem que ter muito talento pra isso. E isso eles têm de sobra. Obrigado Daniel, Canela, Dudu, Fukunaga e toda galera da Maria Bonita.
A lista de pessoas para agradecer quando eu vejo esse trabalho pronto é gigante. Do cara que carrega o cenário ao anão que toca o congo na entrada da festa em Porto seguro. Sim. A intenção era transformar a Ilha dos Aquários numa Ilha da Fantasia. E Ilha da Fantasia sem Tatu não dá, né? “olha o avião, olha o avião”! Tatu, quando o seriado saiu do ar, veio morar na Bahia e virou porteiro do Baby Beef. Ptsquila, nosso roadie, que fez uma ponta como Umpa Lumpa em “A Fantástica Fábrica de Chocolates” sonhou a vida toda com este posto. Calma, Pits. Um dia você consegue esse emprego.
E nesse DVD contamos com a participação de Caetano Veloso num clipe maneiríssimo de “Tempo de Estio”, música composta e gravada por ele em 78. Uma dica de Zeca, amigo e assessor de Daniela Mercury. Dizer que sou fã de Caetano é clichê, mas como não sê-lo? O filé mignon da música popular brasileira se chama Caetano, Chico Buarque, Gil, João Gilberto, Vinícius, Tom Jobim, Milton Nascimento, Dorival Caymmi e Zeca Pagodinho. Aliás, no Brasil tem tanto filé que um boi só não resolve não.
Tem também meus amigos do Biquini Cavadão. Tantas histórias do Coelho, guitarrista do Biquini, já foram contadas aqui que é irrelevante falar da nossa alegria com a participação deles.
Larissa do Araketu e Adelmo do Negra Cor formam o time de novos e ricos talentos que compõem o trabalho.
A agenda de Daniela impossibilitou sua participação. A de Bronw também. Mas eles estavam lá, em espírito.
Bom, é isso. Vou falar aqui no blog detalhes do DVD aos poucos. Espero que gostem. Que comprem. Que se divirtam. É um DVD de festa. Alegre. Colorido e bem feito.
Vou abrir outra latinha e assisti-lo todo, agora, de cabo a rabo.
Amanhã Jack vai estar na geladeira com um bilhetinho em letra de forma, miúda, dizendo: “Chefe, hoje 11 horas dentista”.
Merda.
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Caymmi nos deixou uma obra inesquecível. Dizem que todo baiano quando envelhece fica a cara de Caymmi. Pior que é verdade.
Inesquecível. Iluminado
Ele ia morrer, na verdade, ano passado. Mas aí deu uma preguiiiiçaaaaaa…
Vai com Deus.
“É doce morrer no mar, nas ondas verde do mar…”
Namastê
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