Estamos vivendo o avesso do avesso.
Expliquem-me essa paranóia confusa:
O que é lutar por dignidade e respeito?
É transformar a mais espontânea, simples e aparvalhada declaração em algo indigno e repreensível, num exagero de interpretações maldosas e muito, mas muito mais preconceituosas e maliciosas do que as afirmações que, mesmo sem a menor das más intenções, provocam discussões tolas, exageradas e esdrúxulas?
As “minorias” se sentem ofendidas o tempo todo. Que saco!
Se eu digo que a eleição de Léo Kret é algo ridículo, sou chamado de homofóbico.
Se eu digo que alguns fãs filhos da puta, escrotos e fofoqueiros são, além de chatos, uns viadinhos (assumidéeeeeeeeeeeeeeeerrimos e orgulhosos por assim serem), afetados e muito, muito, muito metidos e inconvenientes, sou chamado de homofóbico.
Se Claudinha diz que prefere que o filho dela seja macho ao invés de gay, é chamada de homofóbica.
Se eu acendo um cigarro num pub onde se toca rock’n roll e reggae e todo mundo cheira pó ou acende um Bob Lélys Marley no banheiro, chamam o segurança pra me pedirem pra eu apagar meu Carlton ou me retirar do recinto.
Se eu tomo um chopp depois do trabalho e sou parado numa blitz, durmo numa delegacia algemado ao lado de um estuprador.
Se dou um pau de lança-perfume no carnaval e sou pego pela polícia, sou enquadrado no mesmo processo que um traficante.
Se eu vou tomar banho de piscina no meu condomínio e ponho Mercedes Sosa pra tocar na minha caixinha bonitinha do Ipod (mesmo que esteja sozinho no ambiente, eu, Deus e minha caixinha amarelinha de Ipod formato bonequinho de Wall-E com aquela cara carente de me-ame-pelo-amor-de Deus) o gerente do condomínio chega e pede pra eu desligar o som , volume ambiente de asilo, lendo QUANDO NIETZSCHE CHOROU, ou serei multado.
Se eu desço com Johnnie, meu cachorro, pra passear e ele mija numa árvore, uma velha com cara de maracujá reclama da minha falta de educação. Se o neto dela mija na calçada, ela aponta pro pintinho dele e diz “que gracinha”.
Se eu pego um táxi para obedecer à lei seca e peço pra ele parar num posto de gasolina pra eu comprar uma saideira, descubro que ele é evangélico e ouço que ele só segue a corrida depois que eu terminar de tomar a minha coisa maldita antes de entrar no carro dele. Tomo sermão mesmo que pergunte a ele porque então o primeiro milagre de Cristo foi transformar água em vinho.
Se Margareth Menezes, negona, linda, afro-descendente total, absurdamente maravilhosa e representante legítima da raça negra canta “Rasta Man”, é chamada de rascista!! E obrigada a tirar a música da rádio!
Virei Minoriafóbico!
Tenho um amigo gay, preto, maconheiro e quase crente. Vou ser obrigado a deixar de visitá-lo.
Não quero correr o risco de ser chamado de politicamente incorreto quando acender um cigarro na casa dele.
Vou fazer tudo ao contrário. Se um negão peidar em um elevador cheio de gente comigo do lado, vou ser logo o primeiro a dizer: ”fui eu que peidei, fui eu que peidei”. Porque se um branco qualquer que estiver do lado dele, mesmo sabendo que foi o negão que peidou, olhá-lo de cara feia e xingá-lo de peidão, pode provocar uma revolução social, com polícia, Sônia Abrão e jornal da manhã querendo ouvir testemunhas da manifestação de racismo.
Se estiver em outro elevador cheio, e um gay atrevido meter a mão no pinto do vizinho gato do oitavo andar, vou gritar na hora “fui eu que peguei, fui eu que peguei”. Porque se a vítima da mãozada, mesmo sabendo que foi o gay que apertou com gosto seu periquito o acusá-lo de assédio ou der um soco em seu nariz, pode ser preso por homofobia e agressão.
Meus amigos pretos e meus amigos gays que me beijam, me embriagam e que dormem aqui em casa vão ter que se afastar de mim. Porque num descuido posso chamá-los de negão ou de viados na rua. Mesmo que com o carinho de sempre. Posso ser processado por racismo ou preconceito sexual.
E vou voltar a fumar por defesa aos direitos dos fumantes.
Meus tempos de ex-fumante me fizeram ver como os não fumantes são escrotos e preconceituosos. Fumante não é marginal! Minhas pequenas putas, meus cigarros, me convidam insistentemente pra voltar aos seus prazeres. Entendo que a fumaça incomoda os não fumantes. E, principalmente, a cabeleira de chapinhas das patricinhas loirinhas que vão pra bares beber vodka com energético, reclamando da fumaça do cigarro, até a hora em que aceitam fazer uma suruba na casa do novo-melhor-amigo que acabou de conhecer.
Fumarei longe delas. Porque posso ser considerado um pária, um asco, um ser inseguro que não conseguiu se desfazer da fase oral na infância e que procura no cigarro a compensação bucal do seio maternal. Freud é muito doido! Cheirava pó e fumava. Vou procurar um analista freudiano pra me sentir menos culpado por só querer fumar meu Carltinho.
A minoria está muito chata.
Léo Kret não provoca uma discussão pertinente pelo fato dela ser gay. Ela vai governar com as idéias, e não com o cu. Como diria Gabeira. E sim pelo fato dela ser uma piada. O anão do Baby Beff sendo eleito provocaria reações de repúdio parecidas. A propósito, nunca vi um anão gay! Nem enterro de anão.
E porque só se questiona a resposta de Claudinha, e não a pergunta escrota do repórter?
Você queria que ela respondesse o que? “Sim! Desde que engravidei queria que meu filho fosse gay?”
E se vier a ser, acha que algum pai ou mãe deixaria de amar o filho da mesma maneira?
Meu pai e minha mãe quase morreram quando souberam que eu experimentei maconha. Achei uma merda. Ainda acho até hoje. Acha que minha mãe disse pra minha tia: “que lindo! Manno tá fumando maconha”?
Uma vez liguei pra minha mãe e disse: “mãe, tô namorando. Não se assuste com o que eu vou dizer. Quero te apresentar. Estou namorando com o Cláudio, um moreno lindo que conheci num show”. Falei tão sério que ela acreditou. Apesar do susto, sabe o que ela me disse? “Maninho, meu filho… Se você estiver feliz…”
Pai e mãe querem que a gente seja feliz. E só. Maldade é usar pergunta capciosa atrás de resposta espontânea e manipulá-la a ponto de transformar um assunto bobo em algo preconceituoso que venda tablóide.
Lutar por respeito é justo. Procurar pretexto pra desrespeitar quem sempre teve respeito por todos é injusto. Escroto, covarde, preconceituoso e infeliz muitas vezes é o teor da reportagem.
Uma vez disse numa palestra que experimentei maconha e que achei uma merda. Quando disse brincando que, quando fumei pela segunda vez descobri que uma merda na verdade era a maconha que me apresentaram na primeira vez, fui muito mal interpretado. Usei o exemplo de Caetano que comentou uma vez sobre a maconha: “maconha é uma boa droga”. Nem por isso quis dizer que maconha é bom. Não gosto de nada que me dá lombra. Mas terminada a palestra, um bocado de gente veio me reprimir. Ou me perguntar como eu larguei o “vício”. Por falar em vício… alguém me dá um cigarro, pelo amor de Deus???
Parar de fumar é bom. Mas voltar é tão gostoooooooooso!!!!
A minoria está se fazendo de vítima e coitadinha o tempo todo. Tá chato isso.
Eu, hein. É o homossexual virando um heterofóbico. Um não fumante marginalizando um fumante. Um afro descendente apoiando o sistema de cotas (sistema de cotas no Brasil é questão econômica, e não racial). É o atleta criticando o Mc Dia Feliz. É o ecologista que é contra a pesca do tubarão. Até o dia que um tubarão almoça a perna do seu filho surfista na beira da praia.
Meu sonho é um dia ir prum show de Elton Jhon! Vou gritar alto pra caralho, doidão, na frente do palco: “Viadooooo! Eu te amo!”. Cheio do pau, fumando um cigarro atrás do outro, bebendo o que quiser, cantando aos berros, abraçado com três amigos gays “Your Song” . Sonhando em um dia casar com a mulher que eu amo ao som dessa música. Imaginando-a com seu sorriso largo e seus olhos de leoa, verdes como o mar da baía de todos os santos. Com sua elegância de fada, com corpo e rosto esculpidos por Deus. Meu amigos gays chorando, paquerando os padrinhos, se escondendo depois no banheiro pra queimarem um baseado, dizendo: “aiiiii… Que casal mais lindooooo!”
Transformar tudo em preconceito é uma viadagem!
Fuma quem quer. Se sente atraído pelo sexo que quiser.
Ser feliz é dar leveza, isentar-se de culpas e desculpas, caretices e preconceitos.
Entregar-se de corpo e alma a um desejo legítimo e descobrir que tudo que envolve e transforma a vida em algo fascinante e belo, é o amor.
Principalmente o amor próprio.
A minoria está muito vitimizada e preconceituosa. Tá ficando com a cara e careta da maioria.
Deus é pai. É meu, é seu, é nosso.
Namastê
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