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Idéias Absurdas
Acordo no meio da noite. Procuro um Stilnox. Não acho. Merda.Vou pra cozinha. Abro a geladeira. Tangerina e pizza fria. Faço um café. Extra-forte. Acendo um cigarro. Luz do quarto acesa, a única acesa na casa. Ela provoca na sala uma penumbra rasa, tranqüila, fotografia em preto e branco de Arthur Tress. Silêncio. Silêncio. Sento no sofá e trago despretensiosamente um carltinho. Penso nos shows da semana passada. Nos que estão por vir. Surge uma frase na cabeça. Uma idéia de melodia. Pego o violão. Opa… isso aqui ficou bom. Corro pro quarto. Papel, caneta e gravador. Primeiros versos escritos. De uma tacada só. Junto com a melodia: “janelas se abrem, cachorros se espantam. Os telefones tocam, pessoas se levantam. Os carros correm avançando os sinais. As crianças dormem pro sossego dos seus pais”.
A Idéia é falar do dia a dia comum. Das coisas comuns que acontecem à nossa volta. Enquanto vivemos nosso mundo particular e aprendemos a conviver com seja lá o que for. Continuo tentando. A segunda parte não ficou tão legal. Ignoro tudo, pego outro papel e recomeço a segunda estrofe. Pego o violão e canto. Opa. Gostei: “as ondas se quebram, os cabelos caem, os velhos esperam, as pessoas traem. Os gatos se lambem, aviões cruzam no céu. Enquanto as portas rangem, as abelhas fazem mel”. Humm. Gostei mesmo. Gostei bastante.
Um pop-rock interessante e com melodias grudentas começa a se formar. Refrão agora. Mil caminhos. Nesse universo misterioso de apenas sete notas se escondem infinitas possibilidades e avenidas a seguir. Quero falar que as coisas, que o tempo, que tudo vai passando e acontecendo o tempo todo. E a vida segue em frente. Keep walking. Pensa, Manno Góes. Hmmm. Largo o violão. Abro a geladeira. Uma garrafa de Tabali Shiraz me olha sorrindo pedindo: “devora-me”. Obedeço. Tomo a primeira taça. O vinho amadeirado e saboroso entra muitíssimo bem. Toco de novo a música até onde está pronta.
Então ele chegou: sem prevenir, sem pedir licença. Simplesmente adentrou meus pensamentos e se plantou ali, enraizando o que eu buscava sem me dar aviso algum: O refrão. Como eu queria. Grudento, sucinto, objetivo: “e assim os dias se vão e eu me acostumando a viver, simplesmente os dias se vão, e eu me acostumando a viver sem você”. Nossa! Certas composições surpreendem de imediato. A melodia, a métrica das palavras, os acordes, os detalhes do violão. Tá tudo ali, no lugar certinho. Bebo outra taça. Ligo o gravador, aperto o REC e toco a música inteira. Rebobino a fita. Ouço o que acabei de gravar. Sim, sim! Eu realmente gostei disso. Uau!
Quero outra parte. Começo assim: “as famílias crescem, mulheres engravidam, jovens adoecem, os ferros se oxidam, namoros começam e terminam em bancos de jardim, tudo que é pra sempre, sempre um dia chega ao fim”. Refrão de novo: “e assim os dias se vão e eu me acostumando a viver, simplesmente os dias se vão, e eu me acostumando a viver sem você”.
Gravador. Papel. Caneta. Violão. Cigarro. Vinho. Meus instrumentos de trabalho. Gravo a música toda. Olho pro relógio. Quatro e quinze da manhã. Demorei meia hora pra compor essa canção que eu simplesmente adorei. Que seria mais uma de gaveta. Que ficaria guardada, bem guardada, junto com infinitas composições que surgem assim, do nada, do meio da madrugada. Mas que não cabem no trabalho do Jammil. Que ficariam esquecidas ali…
Ficariam, porque recebi um convite e topei. Em Junho estarei gravando meu primeiro CD solo. Em Los Angeles. Produzido por Torcuato Mariano. Um gênio da música brasileira. Argentino naturalizado brasileiro. Um Maradona com o swingue de Pelé. Nas guitarras gravarão comigo Torcuato , o Coelho, do Biquíni e o Yvess Passerelli, do Capital Inicial. No sax, George Israel, do Kid Abelha. Violão e baixo em algumas músicas, Rodrigo Santos, do Barão Vermelho. Na bateria, Vinnie Colaiuta. Um gênio da bateria mundial. Ele só gravou com Madonna, Sting, Elton Jhon, Paul McCartney, esses garotos novos que estão começando. Nos teclados meu amigo Flávio Venturinni.
Frio na barriga. Um trabalho de doze canções minhas. Todas inéditas. Todas eu cantando. Todo dia dou uma olhada nas minhas anotações de gaveta. Ouço músicas que nem lembrava que existiam. E me delicio com o poder que as músicas têm de se manterem em forma quando são pouco ouvidas. Outras, nem tanto. Dificilmente gravarei estas um dia.
Dou o nome dessa música que acabo de fazer de “Os dias se vão”. Tomo outra taça. Acendo outro cigarro. Arrumo a papelada, o gravador e a caneta. Ponho tudo numa gaveta nova, mais organizada. As que vão entrar nesse CD. Logo abaixo desta fica a gaveta com as letras das músicas que estou fazendo pro Jammil. Mais doze inéditas. Pro DVD da Estrada Real. Pops também, mas com a cara do Jammil. Com muito axé e diversão. Pego uma folha dessa gaveta do Jammil. Uma música quase pronta. Incompleta ainda.
Me passa uma idéia absurda na cabeça. Gostei da idéia:
É o seguinte: Dou 20% da parceria da composição pra quem me mandar as duas frases que faltam na música. Duas frases. Que eu poderia fazer agora. Mas gostei da idéia.
Segue a letra como está:
“Ei, moça bonita, a gente não se fala já faz um tempão
Como vai a vida, como vai o coração?
Você me conhece, sabe que minha história é essa confusão
Cada dia um porto, cada dia um avião
Mas sempre te levo comigo
Nos pensamentos mais bonitos
(agora é a parte de vocês)
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E a gente ri, e a gente chora
E a gente brinca de brigar
E bate a porta e vai embora
E sempre pede pra voltar”
E aí? Vão encarar? Quero lembrar que essa música provavelmente será gravada no DVD da Estrada Real. Além de um de vocês virarem parceiros meus ainda vão ganhar uma graninha bem legal de direitos autorais.
Seguindo aqui algumas regras:
1- Só vale um compositor. Se vocês escreverem em parceria com alguém e o nome desse alguém também entrar na música, os 20% serão divididos entre vocês.
2- Dependendo do que rolar, posso depois selecionar as que gostei mais e colocar no site pra votação.
3- A edição da parte que vocês fizerem será editada na minha editora, a Malu Editora.
4- SÓ VALERÃO AS LETRAS ENVIADAS AQUI NO BLOG. NÃO MANDEM POR EMAIL!!!!!
É isso aí. Tirem da cabeça e da gaveta algumas idéias e mandem brasa.
Vou aguardar respostas com bastante expectativa.
Mandem brasa, parceiros! Toda música é pra sempre.
Boa sorte!!!
Beijos
Namastê
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ATUALIZAÇÃO DA PROMOÇÃO – 21 de MAIO 2009
Depois da idéia absurda, estou tendo um trabalho absurdo para bater o martelo na música.
Muito obrigado mesmo a todos que estão participando. Apesar do trabalhão, está sendo divertidíssimo ver os esforços, a criatividade, o interesse de vocês.
Sei que desde o início fui meio injusto, oferecendo apenas o espaço da frase a ser encaixada na música, não lhes mostrando a melodia nem nenhuma forma de sintaxe pra que lhes ajudassem na hora de compor. Mas creio que por um lado foi bom, pois assim eu mesmo encontrei um desafio interessante que é tentar encaixar suas sugestões na melodia que pensei pra música.
Ainda não decidi qual será a frase escolhida, mas acreditem, estou me esforçando.
Curioso que eu sei que por ter sido um processo aberto, em que todos aqui acompanharam, leram as sugestões e criaram simpatia por uma ou outra frase, quando eu fizer minha escolha, certamente não vou agradar a todos. Pelo menos o autor da frase escolhida vai ficar feliz.
Achei válida a iniciativa de algumas pessoas que não só escreveram a frase como também modificaram boa parte da letra. Algumas até criaram suas próprias melodias e inverteram o proceso, utilizando parte da letra que eu tinha escrito na música que eles tinham feito. Não foi bem o que eu pedi, mas vale o espírito empreendedor.
Uma composição pode ir pra milhões de caminhos. E cada caminho revela um lado novo, uma sensação nova pra quem a ouve.
Eu, antes de publicar o post e sugerir essa “promoção”, já havia criado um caminho melódico pra música. Pelo menos pra parte que escrevi. E esse caminho melódico será seguido.
Continuem mandando suas sugestões. Dia 17 de Junho eu publico o resultado.
Boa sorte e, mais uma vez, valeu demais a participação de vocês.
“Música é 10% inspiração e 90% transpiração”
Ufa!!!
Namastê!!!!!!!






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