20
ago

TEATRO MÁGICO


A melhor banda do Brasil hoje é o Teatro Mágico. E pronto. Que não é só uma banda. É também uma banda. É uma “companhia musical e circense”.

Um show de cores, criatividade e boas músicas.

Não lembro bem quando fui apresentado ao Teatro Mágico. Sei que foi por uma dica de alguém que é fã do Jammil. Seja lá quem foi me deu um grande presente.

Desde que ouvi o Teatro Mágico pela primeira vez percebi que estava ouvindo algo muito interessante. Algo brasileiro, mundo, que tava sentindo falta de ouvir nos últimos tempos. Uma sonoridade própria, com personalidade, conceito, força. Fui fisgado.

Comprei o DVD “O TEATRO MÁGICO – ENTRADA PARA RAROS” e não canso de assistir, ouvir, decorar as músicas, me divertir. Há tempos não gosto tanto de uma banda assim.

O Teatro Mágico é liderado por Fernando Anitelli, que é ator, músico, cantor e compositor. Acompanhado de uma banda maneiríssima, o DVD é uma delícia. Uma festa com humor, poesia, mistura de ritmos e músicas sensacionais.

Achei tão bom que pensei que era uma banda de Pernambuco. Porém de Osasco, o Teatro tem uma pegada rock antenada, moderna e sem frescura de se prender a nada. Misturando tudo, o resultado é bom pra caralho!

Se ainda não conhece, corra pra conhecer. “Sintaxe à vontade”.

Compre o DVD e colabore com a indústria musical independente.  

Você não vai se arrepender!

SONHO DE UMA FLAUTA (FERNANDO ANITELLI)

Nem toda palavra é

Aquilo que o dicionário diz

Nem todo pedaço de pedra

Se parece com tijolo ou com pedra de giz

 

Avião parece passarinho

Que não sabe bater asa

Passarinho voando longe

Parece borboleta que fugiu de casa

 

Borboleta parece flor

Que o vento tirou pra dançar

Flor parece a gente

Pois somos semente do que ainda virá

 

A gente parece formiga

Lá de cima do avião

O céu parece um chão de areia

Parece descanso pra minha oração

 

A nuvem parece fumaça

Tem gente que acha que ela é algodão

Algodão às vezes é doce

Mas às vezes é doce não

 

Sonho parece verdade

Quando a gente esquece de acordar

E o dia parece metade

Quando a gente acorda e esquece de levantar

Ah e o mundo é perfeito

E o mundo é perfeito

E o mundo é perfeito

Eu não pareço meu pai

Nem pareço com meu irmão

Sei que toda mãe é santa

Mas a incerteza traz inspiração

 

Tem beijo que parece mordida

Tem mordida que parece carinho

Tem carinho que parece briga

Tem briga que aparece pra trazer sorriso

 

Tem riso que parece choro

Tem choro que é pura alegria

Tem dia que parece noite

E a tristeza parece poesia

 

Tem motivo pra viver de novo

Tem o novo que quer ter motivo

Tem a sede que morre no seio

Nota que formata quando desafino

 

Descobrir o verdadeiro sentido das coisas

É querer saber demais

Querer saber demais

 

Sonho parece verdade

Quando a gente esquece de acordar

E o dia parece metade

Quando a gente acorda e esquece de levantar

Sonho parece verdade

Quando a gente esquece de acordar

E o dia parece metade

Quando a gente acorda e esquece de levantar

Ah e o mundo é perfeito

Mas o mundo é perfeito

 

 

Beijos!

 

Namastê!!!!!!!!!!!!!!

 PS : SEGUE O SITE DA BANDA:

http://www.oteatromagico.mus.br/novo/

postado por: manno


12
ago

Cleópatra


Qual minha mais antiga lembrança? Foi a pergunta que me fiz hoje, num exercício banal de memória. Conversei a pouco sobre terapia de regressão, sua eficácia e validez. Essas coisas que a gente conversa depois da sexta saideira e terceiro Contreau.  

Como não me interessa saber nem um pouco se em vidas passadas fui Júlio César ou Pompeu, Aníbal ou Cipião, jumento ou cavalo, resolvi voltar no tempo pras memórias apenas desta minha vida atual, que é a única que eu tenho certeza que existe.

Acho que embaralho demais minhas lembranças numa argamassa confusa de flashes, tornando meio que impossível dizer com exatidão qual minha memória mais antiga.

Sei com certeza que não me lembro do útero de minha mãe nem do gosto do seu leite.  Não me lembro do rosto de meu pai sem barba nem do seu cheiro sem cigarro. Não me lembro do meu cordão umbilical caindo nem do motivo que me fez dar minha primeira risada. Não lembro se disse primeiro “papai” ou “mamãe’ nem de quando limpei minha bunda sozinho pela primeira vez sem chamar a babá.

Minha primeira lembrança boa mesmo foi a de um Natal, quando ganhei de presente de Papai Noel uma vitrola do Mickey.  Aquilo sim foi um presente. Que veio acompanhado de um compacto dos Beatles. De um lado “Please, Please Me”, do outro “I Wanna Hold Your Hand”. Era um disco antigo já naquela época (mil novecentos e setenta e tantos).  Mas foi o melhor presente que eu já ganhei na vida.

Depois, com uns sete anos mais ou menos, acho que minha interpretação de felicidade era estar na carpintaria de meu pai o vendo serrar madeira pra fazer brinquedos, mesinhas e banquinhos pra gente. Éramos três crianças – eu a do meio.

Era também estar no quarto de minha mãe a vendo anotar as letras das músicas dos discos de Bethânia e Emílio Santiago em um caderno grosso de capa azul. Como antigamente não havia como dar pause nas músicas que eram tocadas nos toca-discos, era um exercício divertido ver minha mãe pacientemente fazer suas anotações, correr para voltar a música no ponto em que ela havia se perdido na letra, levantando a agulha e a recolocando sobre o disco, num infinito festival de estouros e distorções causados pelo impacto da agulha mergulhando sobre os sulcos do LP. Depois ela reclamava que os discos arranhavam.

Acho que a partir daí consigo me lembrar de um bocado de coisa. Da prancha de abdominal que meu pai comprou e nunca usou, que acabou sendo serrada um dia na sua carpintaria e virou uma mesinha ou um caminhãozinho desses de puxar com cordinha.

 De meu primo Léo, de corte de militar no cabelo e orelhas grandes, meio gordo e destrambelhado, saindo comigo de manhã cedo com Biriba e Kojak, nossos cães de guarda, pra “procurar caminho”, como dizíamos. Sim. Naquele tempo era possível duas crianças saírem de casa acompanhadas apenas de seus vira-latas e caminharem por terrenos baldios, se atolando em poças de lama ou caindo em vielas de esgoto.

Dos jogos de botão com meu irmão Dé e do jeito engraçado de dormir de minha irmã Leila.

Do primeiro gozo, o primeiro beijo, a primeira cachorra, o primeiro cigarro, a primeira recuperação, a primeira grana…

Lembro-me de Tuca com hipoglós no rosto, sob um guarda-sol verde bizarro gritando meu nome na praia de Aleluia.  Convidando-me pra fazer com ele uma banda pra tocar covers de Bob Marley. Essa parte da história eu conto no Songbook do Jammil.

Entre tantas lembranças, vêm também aquelas que a gente pensa que gostaria de esquecer. Mas quer saber? À medida que a gente cresce, a gente vai aprendendo a conviver com tudo aquilo que a gente disse e fez.  E foda-se.  É vivendo, se lascando e se divertindo que a gente vai descobrindo os sabores e dissabores de cada etapa da vida. Cada queda serve pra gente aprender a se levantar. É bom viver quando a gente  aprende a dizer: “foda-se”.

Só quero fazer meus dias valerem à pena e os dias de quem está do meu lado também.

A conclusão que cheguei na discussão de hoje é que esse negócio de vidas passadas, regressão, não me atrái nem um pouco. Não se trata de crer ou não. Até porque respeito a fé de todos. Pra mim tanto faz se existe fantasma, espírito, reencarnação ou não. Eu, por exemplo, adoro o Gasparzinho. É uma questão de falta de sentido mesmo, pra mim, procurar saber quem fui, como morri, qual meu karma, essas coisas.  Se mal sabemos quem somos nesta vida, que merda adianta saber quem fomos ou se fomos alguém em outras?

Se o futuro à Deus pertence, creio que o passado idem.

Engraçado que ninguém diz: “em outra encarnação eu fui um ladrão banguelo fedido que morreu de sífilis.”

Todo mundo só quer ser Cleópatra.

Eu, hein?

Namastê!

postado por: manno


06
ago

:(


Ser brasileiro cansa.

Namastê

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postado por: manno