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Cleópatra
Qual minha mais antiga lembrança? Foi a pergunta que me fiz hoje, num exercício banal de memória. Conversei a pouco sobre terapia de regressão, sua eficácia e validez. Essas coisas que a gente conversa depois da sexta saideira e terceiro Contreau.
Como não me interessa saber nem um pouco se em vidas passadas fui Júlio César ou Pompeu, Aníbal ou Cipião, jumento ou cavalo, resolvi voltar no tempo pras memórias apenas desta minha vida atual, que é a única que eu tenho certeza que existe.
Acho que embaralho demais minhas lembranças numa argamassa confusa de flashes, tornando meio que impossível dizer com exatidão qual minha memória mais antiga.
Sei com certeza que não me lembro do útero de minha mãe nem do gosto do seu leite. Não me lembro do rosto de meu pai sem barba nem do seu cheiro sem cigarro. Não me lembro do meu cordão umbilical caindo nem do motivo que me fez dar minha primeira risada. Não lembro se disse primeiro “papai” ou “mamãe’ nem de quando limpei minha bunda sozinho pela primeira vez sem chamar a babá.
Minha primeira lembrança boa mesmo foi a de um Natal, quando ganhei de presente de Papai Noel uma vitrola do Mickey. Aquilo sim foi um presente. Que veio acompanhado de um compacto dos Beatles. De um lado “Please, Please Me”, do outro “I Wanna Hold Your Hand”. Era um disco antigo já naquela época (mil novecentos e setenta e tantos). Mas foi o melhor presente que eu já ganhei na vida.
Depois, com uns sete anos mais ou menos, acho que minha interpretação de felicidade era estar na carpintaria de meu pai o vendo serrar madeira pra fazer brinquedos, mesinhas e banquinhos pra gente. Éramos três crianças – eu a do meio.
Era também estar no quarto de minha mãe a vendo anotar as letras das músicas dos discos de Bethânia e Emílio Santiago em um caderno grosso de capa azul. Como antigamente não havia como dar pause nas músicas que eram tocadas nos toca-discos, era um exercício divertido ver minha mãe pacientemente fazer suas anotações, correr para voltar a música no ponto em que ela havia se perdido na letra, levantando a agulha e a recolocando sobre o disco, num infinito festival de estouros e distorções causados pelo impacto da agulha mergulhando sobre os sulcos do LP. Depois ela reclamava que os discos arranhavam.
Acho que a partir daí consigo me lembrar de um bocado de coisa. Da prancha de abdominal que meu pai comprou e nunca usou, que acabou sendo serrada um dia na sua carpintaria e virou uma mesinha ou um caminhãozinho desses de puxar com cordinha.
De meu primo Léo, de corte de militar no cabelo e orelhas grandes, meio gordo e destrambelhado, saindo comigo de manhã cedo com Biriba e Kojak, nossos cães de guarda, pra “procurar caminho”, como dizíamos. Sim. Naquele tempo era possível duas crianças saírem de casa acompanhadas apenas de seus vira-latas e caminharem por terrenos baldios, se atolando em poças de lama ou caindo em vielas de esgoto.
Dos jogos de botão com meu irmão Dé e do jeito engraçado de dormir de minha irmã Leila.
Do primeiro gozo, o primeiro beijo, a primeira cachorra, o primeiro cigarro, a primeira recuperação, a primeira grana…
Lembro-me de Tuca com hipoglós no rosto, sob um guarda-sol verde bizarro gritando meu nome na praia de Aleluia. Convidando-me pra fazer com ele uma banda pra tocar covers de Bob Marley. Essa parte da história eu conto no Songbook do Jammil.
Entre tantas lembranças, vêm também aquelas que a gente pensa que gostaria de esquecer. Mas quer saber? À medida que a gente cresce, a gente vai aprendendo a conviver com tudo aquilo que a gente disse e fez. E foda-se. É vivendo, se lascando e se divertindo que a gente vai descobrindo os sabores e dissabores de cada etapa da vida. Cada queda serve pra gente aprender a se levantar. É bom viver quando a gente aprende a dizer: “foda-se”.
Só quero fazer meus dias valerem à pena e os dias de quem está do meu lado também.
A conclusão que cheguei na discussão de hoje é que esse negócio de vidas passadas, regressão, não me atrái nem um pouco. Não se trata de crer ou não. Até porque respeito a fé de todos. Pra mim tanto faz se existe fantasma, espírito, reencarnação ou não. Eu, por exemplo, adoro o Gasparzinho. É uma questão de falta de sentido mesmo, pra mim, procurar saber quem fui, como morri, qual meu karma, essas coisas. Se mal sabemos quem somos nesta vida, que merda adianta saber quem fomos ou se fomos alguém em outras?
Se o futuro à Deus pertence, creio que o passado idem.
Engraçado que ninguém diz: “em outra encarnação eu fui um ladrão banguelo fedido que morreu de sífilis.”
Todo mundo só quer ser Cleópatra.
Eu, hein?
Namastê!
agosto 12th, 2009 at 7:16 am
Concordo com o que vc escreveu Manno.
Pra que saber quem fui em vidas passadas ou se elas existem? Isso não interessa, não ia poder mudar nada mesmo.
O que importa é quem sou agora, o que posso vir a ser, as lembrança que me interessam são as dessa vida que me faz aprender, que me dá alegrias ou até mesmo tristezas.
Caso existam outras vidas nunca vamos ter certeza mesmo, tudo é uma questão psicológica, é o que queremos, é o que acreditamos.
Eu acredito que tenho apenas uma vida pra viver, por isso faço dela a melhor possível, cada dia, cada minuto é uma coisa nova, uma lembrança a mais, um aprendizado.
O passado passou, o futuro é incerto, o que importa é o AGORA.
agosto 12th, 2009 at 9:37 am
“É vivendo, se lascando e se divertindo que a gente vai descobrindo os sabores e dissabores de cada etapa da vida. Cada queda serve pra gente aprender a se levantar. É bom viver quando a gente aprende a dizer: “foda-se”.”
Pois é, essa parte resumi tudo q to passando nesse momento: aprendendo a dizer foda-se e sendo feliz!
e qto a vida passada? nesse momento tenho qse q certeza q eu devia ter sido um alguém mto do filho da puta viu… kkkk
mas tb prefiro pensar apenas nos agora… e viver um dia de cada vez…
Namastê!
agosto 12th, 2009 at 10:21 am
Então, eu não lembro qual a minha memória mais antiga também, mas lembro de umas coisas bem engraçadas e, por que não, bizarras da infância. Sinto saudade pra caralho, mas sei lá se gostaria de voltar e viver tudo outra vez. Eu gosto dessa “saudade boa”, mas o negócio é viver e ver o que nos aguarda.
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E sim, “tocar o foda-se” é bom pra caralho também! Tô meio assim ultimamente: “gostou? Ótimo. Não gosto? Vai tomar no cu”. E tô feliz assim.
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Abração, cara! Ótimo texto.
agosto 12th, 2009 at 10:38 am
E desta vez seu texto me fez chorar. Não por suas histórias, suas lembranças ou coisa do tipo. Por ter me feito transportar lá atrás e perceber o quanto a vida é boa e como ela passa assim, sem ao menos, vermos.
Parece clichê, redundante e até mesmo ridículo, mas certa vez disse lá no meu blog que “Crescer dói”. E como dói. é tão bom termos estas lembranças, viajarmos no tempo e querer voltar lá atrás. Sem demagogias, eu queria muito voltar a ser “Pequeno lá em Barbacena”, ter o colinho do papai, a comidinha da mamãe me esperando toda vez que chegasse da escola e o mala do meu irmão sempre a me bater. Mas hoje, no auge dos meus 23 aninhos, isso não mais é possível e por isso, só por isso, só me restam as lágrimas e a saudade de um tempo que não volta mais…
agosto 12th, 2009 at 1:57 pm
MARAVILHOSOOOOOOOOO,
caro seu escrita é boa demaissss
realmenteeeeeee em meio a tantas asneiras um sopro de fina inteligência!
ADOROOOO
agosto 12th, 2009 at 3:19 pm
Quanto mais passa, mais as histórias se acumulam, parece que mais nos pegamos relembrando as histórias e experiências passadas NESSA vida. Também nunca visentido ficar me perguntando o que fui ou não, me interesso peloagora, pelo que ainda posso ser… Quero me deliciar muito ainda nessa vida, e ter histórias pracontar. viver com intensidade, ligando ou não o foda-se algumas vezes (inevitável).
Abraços Manno
agosto 12th, 2009 at 7:20 pm
lindo texto!! amei.. e que vamos vivendo, se lascando e se divertindo, descobrindo os sabores e dissabores da nossa longa vida!
agosto 12th, 2009 at 7:33 pm
Agora sim um texto dos que eu gosto. E por sinal,dos bons.
Não paro muito para pensar nas minhas lembranças, mas essas suas trouxeram-me a lembraça de uma … eu bem pequena dando pause na fita para copiar as letras das música que eu gostava! haha .) Como a internet estraga esses prazeres da vida, fico pensando o que é que essas crianças de hoje em dia vão contar de suas infâncias ./
Um beijo Manno Goés!
agosto 12th, 2009 at 9:54 pm
É bom ter essas lembraças.. Até lembraças ruins são boas, pq a maioria delas vem para que aprendamos com isso.
Sinceramente? Acho que se todos soubessemos o que fomos na vida passada o mundo seria pior do q já é…
Mas enfim, lembraças são sempre boas…E ainda mais quando são as lembraças de Manno Góes…
Beijos meu idolo
PS: Saudades que eu tava de um post muito bom desses..
agosto 12th, 2009 at 10:42 pm
Maravilhosoooooo…. relembrar o passado de vez em qdo faz bem… e… no final… vc está agindo como eu… vou por minha frase…
Se nada estiver dando certo em sua vida, ligue o foda-se e continue vivendo…. ahahhahaha
Adorei o texto….
agosto 12th, 2009 at 10:45 pm
Ahh! Adoro recordar minha infância! Época boa em que eu vivia na rua rodeada de garotos e agia como tal, protegendo meus irmãos mais velhos! Não queria saber de brincadeiras de garotas. =)
Senti falta de seus posts.
Beijos
agosto 13th, 2009 at 5:14 am
memoria mais antiga? janta de ontem!
e como dizia a sabia galera do los hermanos (não sei se quem disse foi Camelo, Amarante, ou os dois, mas vou procurar saber): ‘o esforço pra lembrar, é a vontade de esquecer!”
então, deixa quieto, bem quieto!
agosto 13th, 2009 at 7:11 am
Vixe, Manno Goes, qto tempo ñ passo por aqui!!!
Então, vc relembro de váaaaarios acontecimentos de minha vida e creia, dou risadas da gde maioria deles… p/ ajudar a memória, temos fotos, e salve as câmeras digitais! Algumas das fotos sempre digo: essa é p/ posteridade (mesmo q pertença a Deus, rs)
Beijinho e se cuida.
agosto 13th, 2009 at 7:43 am
Muuito bom Manno…
É a mais pura verdade quando você diz: É vivendo, se lascando e se divertindo que a gente vai descobrindo os sabores e dissabores de cada etapa da vida.
E é assim mesmo, vivendo e aprendendo rsrs
amo teus textos…
agosto 13th, 2009 at 9:51 am
lembrar das coisas passadas sempre dão um ar de leveza..
e sempre acaba em risada..mesmo que tenha sido algo ruim, nakele momento alguem ficou com uma cara engraçada..e dae a gente ri…
muito boom ri da vida
agosto 13th, 2009 at 10:01 am
“Tudo que deixamos nessa vida que não seja apagado pelo vento, pelo tempo ou pelo fogo são os rastros deixados pela memória”
Como relembrar é viver, vou colocar aqui o trecho de uma
música de Roberto Carlos; que vai resumir a minha mais eterna lembrança.
“…Das lembranças que eu trago na vida você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez.”
Bjs.
agosto 13th, 2009 at 10:17 am
Simplesmente MARAVILHOSO!!!! Amei!!!! Realmente não importa sabermos que fomos, o que importa é o que somos agora….. Namastê!!!
agosto 13th, 2009 at 11:38 am
E num dia em que a nostalgia chegou chegando desde as 1ªs horas da manhã,ler esse texto, foi, digamos que providencial…
“É vivendo, se lascando e se divertindo que a gente vai descobrindo os sabores e dissabores de cada etapa da vida.”, virou frase de MSN,mas os créditos são seus…após as aspas, o parênteses:(Manno Goes)…se tiver duvidando,me add pra se certificar…rsrsrsrs
E,se é verdade q resgatamos nesta,o q fizemos em vidas passadas, dispenso as terapias de regressão,porque já sei que vivi lascando a vida dos outros,mas tem nada não: me lasco,mas se disser que tb não me divirto,tô mentido…E “ISSO NÃO IMPEDE QUE EU REPITA: (A VIDA) É BONITA,É BONITA E É BONITA”!!!!!!!!!!!!!!!
Namastê pra tu tb!!!!!
agosto 13th, 2009 at 11:44 am
Adorei o texto de hj!
Feliz aquele que tem boas lembranças e historias boas pra contar.. Gosto de lembrar do meu passado, me faz sentir bem!
aaah gostei da teoria:
bom viver quando a gente aprende a dizer: “foda-se”.
Vc é demais! hahaha..
beijão :*
agosto 13th, 2009 at 4:21 pm
Esse é o jeito maravilho MANNO GOES de escrever!!
Imagine a mistura que ia ser nossa cabeça se sobermos de tudo algum dia,o q fomos, o somos e o iremos ser. E que graça e ia ter isso???
Concordo com vc, o q vale é o hj, apesar q o dia 1/8/2009 irei levar comigo sempre!! huahuahua
“Tuca com hipoglós no rosto, sob um guarda-sol verde bizarro gritando meu nome na praia de Aleluia”,acho que nao tem tao explicadinho assim no songbook n, mas mesmo ass9m vou reler pela 1000 vez!!
Namastê!
agosto 13th, 2009 at 4:45 pm
Concordo plenamente, ja tive curiosidade por esses lances de espiritismo, às veses ate discuto sobre isso… mas, pra mim, o que mais importa é viver o agora, como vce disse o futuro e passado só a Deus pertencem… ^^ é a vida, é atraves das nossas açoes passadas que aprendemos a viver =D. As veses tambem acho q isso é a maior besterisse.. mas tudo bem! Bjoo, ate o proximo post
agosto 14th, 2009 at 9:29 am
Amei o texto aliás todos que vc escreve, descobri o site há alguns meses e já lí todos os posts anitgos que vc colocou.
Sobre esse texto, achei bárbaro, eu sou uma pessoa que tenho muitas saudades, tenho saudades até do que não aconteceu, mas acho que recordar é viver sempre, quando é uma coisa boa a gente relembra e fica feliz, quando se trata de momentos difíceis nem tanto, mas uma dia eles voltam na nossa lembrança como um grande aprendizado e então vc percebe que a dor já nem existe o que ficou foi apenas a lição do momento.
To esperando vcs amanhã no Baladatrip em Natal, vai ser tuuuuuuudo.
Beijo
agosto 14th, 2009 at 2:02 pm
Concordo com o que escreveu
massa
bjsssssssss
agosto 14th, 2009 at 11:42 pm
Taí,teu melhor texto dos últimos tempos!Na minha humilde opnião,este e “Minha turma do Penadinho” tem lugar de destaque em teu ‘top 5′!!
Divertido acompanhar tuas memórias,melhor ainda é o delicioso convite a buscar as nossas melhores(e piores!) lembranças.
Muito bom!!!
Bjo grande
agosto 15th, 2009 at 1:50 pm
Vc comeu a bunda de Cláudia Leite?
agosto 16th, 2009 at 5:59 pm
e a musica manno?
quem ganhou rapaz …
to ansiosa
fala logo
agosto 18th, 2009 at 6:23 pm
É mesmo Manno, qm ganhou o negócio la da musica?
Até hj espero o resultado..
beijão!
agosto 18th, 2009 at 7:17 pm
Psiu, Duda f…-se, é acho que ja aprendi a viver!!
huahuahua
Tb essa pessoa n tem nada melhor p fazer n é?
desde o post passado fica falando besteira!!!
agosto 19th, 2009 at 1:17 pm
AMEIIII!!!!
É uma terapia ler seus textos…
Me sinto bem melhor agora!
BEIJOOO!!
agosto 19th, 2009 at 6:25 pm
Também não me lembro qual memoria mais antiga… “/
Mas isso é normal pra mim. Hahahahaha, não consigo lembrar nem da semana passada. Imagina de anos atrás..
Brincadeira, lembro de algumas coisas.. As mais importantes!
Gostei do texto.
Saudade!
agosto 19th, 2009 at 10:04 pm
Chega deu saudade de muitas coisas vividas e não vividas… Rsss
setembro 6th, 2009 at 11:06 am
aaaaaaaaaaaé quando se aprende a dizr FODA-SE é muito bom hahahahahahhahahahha
Namastê
setembro 18th, 2009 at 3:33 pm
Powraaa mesmo naum sendo especifico pra mim, meu nome tá aki,hehehe
Pow naum sei kem fui na outra na vida e naum kero nem saber..mais nessa eu sou CLEÒPATRA e ker saber foda-se as outras vidas kero ser feliz nessa e é o que me importaaa!!
Bjinhusssssssssss