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Desagradável
Durante o delicioso programa Bem Amigos, do qual participamos nesta segunda-feira na Sportv, houve uma calorosa discussão, justíssima, a respeito daquele lance absurdo do juiz Simon, que anulou erroneamente o gol do Obina, e da reação cabeça-quente do presidente do Palmeiras , Belluzzo, ao erro descabido do árbitro.
Uma observação interessante foi feita pelo Arnaldo César Coelho. Ele disse que o Simon está “inseguro, entrando em campo para apitar o jogo com medo de desagradar as pessoas”.
Independente do erro de Simon e das declarações do Belluzzo, esta frase do Arnaldo serve pra todos nós, em todos os momentos de nossas vidas.
Quando tomamos decisões com medo do julgamento dos outros, com medo de desagradar, sempre corremos o risco de sermos infiéis aos nossos princípios. Ninguém agrada a todos. Esta afirmação está presente no nosso dia a dia, a toda hora.
O que percebo naqueles que temem o ato de desagradar alguém é justamente o mesmo que o Arnaldo percebeu no Simon: insegurança.
Medo de desagradar é pior que o artifício dos bajuladores, que fazem de tudo para agradar.
A qualquer hora, em qualquer lugar, poderemos desagradar alguém. Mas quando iniciamos um ato já com o medo disto acontecer, enfraquecemos nossas idéias, nosso conteúdo e a legitimidade do que pensamos realmente.
Entrar na cama com medo de desagradar a parceira é estopim para uma bela broxada, caros amigos.
A nossa compreensão dos mecanismos que regem as mínimas regras de civilidade nos impede de sairmos por aí cuspindo nossas verdades absolutas, doa a quem doer. Por isso guardamos algumas opiniões pra gente e utilizamos da cordialidade e paciência em alguns momentos. Não ser uma pessoa desagradável é bem diferente de viver por aí flutuando, com ares e frases de pessoas perfeitinhas, que fazem de tudo pra serem consideradas gentis, agradáveis, mágicas e boazinhas o tempo todo. Uma chatice. Coisa de gente muitíssimo desagradável e fútil. São aqueles que vivem com a síndrome do querer ser amado o tempo todo.
Nós erramos quando não defendemos nossas convicções. Mesmo quando estas convicções não são necessariamente as mais corretas ou formosas.
Cabe ao bom senso o nosso esforço pra sermos “gente”, humanos, passíveis de erros e tolices. Devemos sustentar o que consideramos correto, lícito, justo, em harmonia com nossas percepções.
O medo de desagradar é insegurança dos covardes.
Se o Simon agiu de acordo com a convicção dele no momento do lance do gol do Palmeiras, marcando erradamente a falta do Obina, mas achando que estava correto em seu julgamento naquele instante, paciência. Mostra incompetência e descuido. Mas defendeu seu ponto de vista. Agora, depois que ele viu o lance na televisão – e ele viu sim – não se pronunciar a respeito, não é só insegurança. É covardia.
“Um bom juiz deve, primeiro, ser honesto; segundo, possuir dose razoável de habilidade; terceiro, ter coragem; quarto, ser um cavalheiro e, finalmente, se tiver algum conhecimento da lei, isto será um bom auxílio” – Bernard Botein, juiz da Suprema Corte americana em 1957
“Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros. Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros”- Clarice Lispector
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