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Menas laranja
Então tá.
Vamos começar este post assim:
Começando logo com a frase “começar com ESTE post”, porque se começasse com “começar com ESSE post”, já começaria errado, haja vista que o “ESTE” nos aproxima mais do sujeito da frase do que o “ESSE”. E antes que confundam o que escrevi e comecem a escrever “comecem” com cê cedilha, quero logo começar dizendo que “comecem” não se escreve com cê cedilha, apesar de que todo começo tem seu fenecer. E fenecer é com cê, não com cê cedilha, como é assim que tem que ser, desde o começo.
Comecei logo chato. Chatão. Muito chato. Bem chato. Logo quando comecei. Mas sem cê cedilha. Nem disfarces (que também se escreve sem cê cedilha).
Pra lembrar como chatas eram nossas aulas deliciosas de português. Que culpa tem (reforma ortográfica atuando e excluindo o bonitinho chapéu do vovô circunflexo do “têm”) nossas professoras de terem tentado nos ensinar a forma correta de utilizarmos essa nossa língua linda, falida e fadada a extinção? “Que culpa tem de terem” é massa, ótimo e correto, apesar de feio. Parece um gerente do HSBC que conheço. Massa, ótimo e correto. Mas feio que dói.
Assim como o tupi-guarani, o Jê, o Aruak, o Karib, a língua portuguesa está morrendo. Sobrevive aos trancos, barrancos e arranhões rascunhados dos poucos seguidores da vasta oferta disponível do nosso velho, difícil e arcaico português correto. Que não nos serve pra nada. Não garante emprego em lugar nenhum no mundo que não seja no Brasil – desnecessário no currículo inclusive pra ser presidente – ou em países fodidos da África ou pra ser dentista em Portugal.
A língua se transforma, como guelras que viram pulmões.
É assim, assim foi e assim será.
Neste momento ufanista em que vivemos, de glórias olímpicas e ocorrências de hidrocarbonetos nas sequências pré-salinas e pós-salinas nas nossas terras, deveríamos antecipar o fim inevitável da nossa língua moribunda que roça sensual com a língua de Luís de Camões e declarar, desde já, urgentemente, o uso liberto do brasilês.
Não à língua portuguesa já!
A reforma ortográfica foi muito acanhada. Vamos falar, escrever, utilizar, twitar, blogar com o nosso bom e honesto brasilês! Mais jovem, vigoroso, sucinto e adequado ao nosso povo sem livros, legendas ou estruturas educacionais.
Vamos inaugurar urgentemente a inédita, atrasada, a “já veio tarde” língua brasileira, ora pois! Quem precisa neste mundo globalizado saber português?
A coisa mais ridícula que ouvi nestes últimos vinte anos foi que a música baiana iria um dia ganhar o mundo. Lamento desapontar vocês, profetas da língua, fãs do Jammil e dos ritmos baianos. A música baiana, assim como a carioca, a paulista, a mineira, a paraense ou a gaúcha NUNCA vai ganhar o mundo.
Estrangeiros nos ouvem falando como a gente ouve chinês ou japonês. Legendas em português são hieróglifos pra europeus e pro resto do mundo. Brasileiros sem inglês trabalham como empregados em outros países, porque os patrões, estes sim, espertos, sabem todos falar, no mínimo inglês.
A gente somos curíntians, sumpaulo, parmeras, framengo, fruminense, atrético ou Baêa, minha pôrra, entre outros, craro. Nós andemos de moto e derrubemos os retrovisô sem dó. A gente somos Brasil baronil. Quem lá quer saber o que quer dizer baronil? A gente somos é nóis e fudeu. A baía de Guanabara parece mesmo uma boca banguela no Rio ou nos Bororós. Somos cults, cut cuts e exóticos. O charme de sempre nos brazilian days.
Vamos adotar de vez nosso brasilês. O brasilês dos jovens que twitam. O brasilês do verbo twitar. O brasilês das menas laranja e menas plurais.
O brasilês que falemos e que corrobora com a falência do hábito de ler e escrever coisas mais interessantes que blogs de banda.
Sem concordâncias, sem regras, sem literatura.
Sem Machados de Assis, Jorges Amados, Euclides da Cunha, Castros Alves, Caetanos, Chicos, Fernandos Sabinos ou Éricos Veríssimos.
O brasilês de Paulo Coelho representando o país ao lado de Lula gritando ‘”Urra” por nosso sucesso olímpico inédito. Aquele “Urra” estrondoso, mágico, estonteante, que cambaleia crianças e muda toda a estrutura política e econômica do nosso país medalha de ouro no quesito justiça, distribuição de renda e comprometimento ético.
“Castro Alves foi quem mesmo? Aquele francês que inventou o avião?” perguntou-me séria e honestamente a ascensorista do prédio comercial localizado em plena praça Castro Alves nesta segunda-feira quente de verão. “Urra!”.
Viva o brasilês! Minha pátria é minha língua. Deixemos os portugais morrerem à míngua. A mangueira fala!
Adoro os sotaques, os erros de português, a exclusão dos esses, das vírgulas , dos pontos finais. Acho bárbaro os vcs encurtando os vocês, os pqs encurtando os porques, os bjs encurtando os beijos, os MSNs e orkuts aproximando-nos a todos!.
Um país deste tamanho fala de norte a sul uma só língua. Viva aos jesuítas! Esse tal de Marquês de Pombal era um chato estraga prazeres.
Falo baianês. E oxente, uai, adoro também o mineirês. O carioquês também. O gauchês, tchê, nem te conto. E o paulistês cheio de porrrrrtas e torrrtas.
Adoro o tí tí tí charmoso pernambucano. O floripanês gostoso, quase um gozo.
O maranhanês perfeito, apesar dos livros chatos de Sarney que eu nem li mas que acho chatos só por terem sidos escritos por ele. Você leu algum daqueles duzentos mil exemplares que foram vendidos? Conhece alguém que leu? Sabe de alguém que conheça “O Outro Lado da História”?
Viva nossa língua brasileira! Que é tudo de bom. É fácil. É viva. É nossa.
É tudo, “menas” língua portuguesa, bichinho.
É nóis!
Urra!
Brasil, sil, sil sil, sil… (sem Z, please)
novembro 5th, 2009 at 8:09 pm
Ah, então… Também sou meio contra essa reforma ortográfica. Só veio piorar o que já era complicado. Além do mais, por que unificar uma língua que já não é única há séculos? Uma língua intrusa – pelo menos por aqui -, que foi “agreada” ao tupiniquim e hoje, realmente, é mais “brasilês” do que “português”.
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Mas ainda assim, sou chato com a língua. Dói ler esses “menas” e “teje” por ai. Ah, dói… Hahaha!
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Abração, cara! E até sábado aqui no luau!
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Sim, ainda não me acostumei a excluir os acentos “charmosos” das palavras. E acho que não o farei tão cedo, viu!
novembro 5th, 2009 at 9:42 pm
Confesso que pela primeira vez desde o dia em que li esse blog pela primeira vez, QUASE não termino de ler um texto seu. Pô Manno conseguisse ser tão chato quanto minhas nadas saudosas aulas de português haha
Gostei só do começo, porque finalmente tirou uma dúvida que me acompanhava a muitooo tempo,sobre a utilização do esse ou este, agora eu aprendi!
Ahh e como é difícil de ser notada lá no twitter, vou falar aqui mesmo uma coisa. Vê se não falta de novo o próximo show aqui em Jampa viu? Fez falta e não deu nem para disfarçar, porque colocaram um careca e barrigudo no seu lugar
Um beijooo Manno Góes! :*
novembro 5th, 2009 at 10:57 pm
Gostei muiiito do começo. Também me tirou uma dúvida. Apesar que vou ter que ler novamente para realmente compreender. Mas sou sincera e digo: – Só consegui ler o começo e o final por que o meio mesmo. Ixii coisinha chata. Já era complicado, agora é que complicou mesmo.
Beijão Manno!
SUCESSO GAROTO
novembro 5th, 2009 at 11:41 pm
Talvez a pior coisa que Lula fez foi esta “reforma” Ortográfica, daquelas reformas que em vez de melhorar piorou o que já não era muito bom. Se o povo já não se preocupava em escrever correto agora menos ainda (aliás, a esta altura eu já nem sei mais qual é o escrever “correto”). Concordo que escrever na internet algumas abreviações são validas para agilizar a comunicação, mas, já vi “Centimento”, “po cível” (esta eu levei uns minutos para entender que palavra era, é possível), “infelismente” (esta é uma das clássicas). E por aí vai as pedradas que eu vejo na internet com a língua portuguesa (até eu já cometi kkkk) Meu Caro Manno isto é para desabafar um pouco também, a minha decepção, revolta, tristeza (nem sei mais, são tantos “Centimentos”
) sobre esta barbárie a língua portuguesa. Você foi bem mais humorado em sua escrita. Como sempre, de parabéns!!!! “Apois! E vamo fala axim q é mais legau”. auauauauuauauaaua
novembro 6th, 2009 at 4:16 am
Você se esqueceu do cada dia mais frequente “miguxês”, ele vai dominar o mundo! :S
Estou ansiosa para o grande dia! Não vejo o Jammil desde o Luau do ano passado em BH. Estarei lá como sempre dando o meu “oizinho” incoveniente e intermitente até que você dê um oi de volta! hahaha
Até amanhã! Beijos!
novembro 6th, 2009 at 6:26 am
Nossa Manno, tudo bem, sou contra a reforma da língua portuguesa, mas, desculpe, desta vez o texto não me agradou muito… coo vc mesmo disse, chato pacas… desculpe…
novembro 6th, 2009 at 7:19 am
Ainda quando eu era pequena lá em Barbacena já gostava de português. E sempre me dava bem nas aulas de literatura e redação. Tanto que ganhei meu primeiro concurso de redação aos 10 anos de idade. E falava sobre o quê? A demora na entrega dos livros do MEC para os alunos da rede pública de ensino… os mesmos livros que nos ajudariam a aprender mais sobre nossa língua, nossa matemática, nossa história… enfim! Cresci e não poderia ter dado em nada diferente. Olha o português continuando a me salvar nos vestibulares e Eenen’s da vida. Tanto que virei jornalista, ora pois! Mas jornalista que usa o português do Brasil, por favor! E sendo assim, por gostar do nosso português e por usá-lo todos os dias como ferramenta de trabalho e de sustento é que já me habituei à nova regra ortográfica. E digo mais: fiquei chata com ela também e sigo por aí corrigindo os acentos mantidos e os hífens esquecidos… afinal, não pode um jornal dar o mau exemplo, apesar de encontrarmos muitos por aí como os piores modelos da humanidade… enfim!
novembro 6th, 2009 at 7:48 am
Começa chato como toda aula de português e termina livre e descontraído como os velhos tempos em que “na cantina da escola, brincando de passar a bola, matando aula de religião”.
Reforma ortográfica, política, eleitoral, parlamentar, civil…
A única reforma que funciona é quando você faz aquele “puxadinho” ou manda instalar uma piscina no jardim, isso sim nos dá prazer.
O língua portuguesa realmente nunca vai dominar o mundo, mas ainda acredito na força do Jammil e de muitos outros baianos-pernambucanos-paulistas-cariocas-mineiros-e-tudo-mais conquistando e fazendo sucesso pelos quatro cantos do mundo (até hoje não entendo por que se fala “os quatro cantos” se o mundo é redondo, mas isso é outro assunto…)
É mais ou menos por aí.
E que venha o Luau de Recife
novembro 6th, 2009 at 7:53 am
“A reforma ortográfica foi muito acanhada. Vamos falar, escrever, utilizar, twitar, blogar com o nosso bom e honesto brasilês! Mais jovem, vigoroso, sucinto e adequado ao nosso povo sem livros, legendas ou estruturas educacionais”.
Adoro o que vc escreve! Leitora assídua!
Mega Beijo
novembro 6th, 2009 at 7:53 am
Chato igual o Sarney …
novembro 6th, 2009 at 8:16 am
Eita, esse texto foi ótimo, acho que essa coisa de reforma ortográfica só veio complicar ainda mais o que já não era fácil, e venhamos e convenhamos impossível unificar uma língua com tantas variedades, se já são grandes dentro de um mesmo país, imagine querer deixar tudo igual em todos os lugares desse mundo que fala português. Impossível, né??!!
Depois de anos na escola aprendendo de um jeito, acabam mudando as coisas e falam que há 5 anos pra nos adaptarmos as mudanças.
Uma coisa é fato, aqui no Brasil nós já não falamos português há muito tempo, adaptamos a língua, o idioma as nossas necessidades e hoje o que realmente existe é esse brasilês.
Uma coisa que é dita em Recife pode ter outro significado em Porta Alegre e isso é natural.
Vamos exaltar nosso jeito de falar, o modo correto é aquele que se faz entender e pronto.
Nosso idioma tem vida, não é simplesmente seguir um monte de regras gramáticais, orgráficas…
novembro 6th, 2009 at 9:14 am
Estou besta! Normalmente quando eu recebo o aviso no email sobre o “post” do Manno no blog eu chego aqui já tem um trilhão de comentários, desta vez quando escrevi tinha pouco, agora, no outro dia, horas depois, não tem quase nada.
Absurdo! O povo que escreve “axim” não se atreveram a escrever. Kkkkkkkkk E foi uma das poucas vezes que eu consegui ler o “post” até o fim. Eu adorei, eu amei, NÃO achei chato, pelo contrário, achei super divertido. Manno conseguiu escrever uma crônica sobre a temática de uma forma séria (porque o tema pedi) e ao mesmo tempo, bem humorada. MEUS PARABÉNS DE NOVO!!!!! Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
novembro 6th, 2009 at 9:47 am
Você, realmente, é sensacional! Sou fã dos seus textos!!
novembro 6th, 2009 at 6:03 pm
Urra! Lula e Sarney juntos outra vez.
Bjs
novembro 7th, 2009 at 1:11 pm
O negócio é, você aprende uma coisa na escola e de um segundo para o outro mudam, sendo que a nossa língua não está mais para o portugues a muito tempo.
Não fui a favor e nem sou, só veio para complicar minha vida essa reforma.
E na faculdade que já temos que usar, quando vou fazer trabalho pode avisar para meu word que certas palavras ele não pode mais acentuar senão eu perco ponto?
Mas sim, eu só falto morrer quando alguém me fala “menas”, “seje” ou me escreve comece com Ç.
Mas é isso, fazer o que
Beijos Manno
novembro 7th, 2009 at 7:10 pm
Rpz complicado esse é tipo de texto, cada pessoa tem um ponto de vista!!!
Mas uma coisa eu concordo, essa é a melhor frase: “Não garante emprego em lugar nenhum no mundo que não seja no Brasil – desnecessário no currículo inclusive pra ser presidente – ou em países fodidos da África ou pra ser dentista em Portugal”!!
Todavia venhamos e convenhamos, o nosso portugues é a melhor lingua e ate a mais dificil, so n damos o devido VALOR, mas….
Namastê.
novembro 7th, 2009 at 7:22 pm
Com certeza será um gd sucesso.
que bom q vc está sentindo T pela Banda.
Amamos vcs de montão!!!
Bjsss
novembro 7th, 2009 at 7:42 pm
porque todos os apaixonados escrevem errado?eu não sabe! só sabe que eu ama muito você
novembro 8th, 2009 at 12:55 am
Manno,
Em 19… Lulu Santos e Hebert Vianna já teriam previsto uma “profecia na gramática” ao compor a música “Assaltaram a Gramática” a letra é bem clara quando utilizam essa frase “-Estupraram a Gramática” concordo plenamente com os compositores, fico puto da vida quando pergunto ao meu sobrinho de 15 anos se ele já ouviu falar em ;Carlos Drummond de Andrade,Machado de Assis,Jorge Amado,João Ubaldo Ribeiro,Euclides da Cunha,Eça de Queiroz e cia.na visão dele estou xingando ele.
Pergunte a ele quem canta a merda da música “todo enfiado” irá responder em fração de segundos.
Os “aborrecentes” de hoje não se interessam em ler,se preocupam apenas em ficar decorando letras de pagode,encurtar palavras no msn,no orkut e cia
Ai me pergunto todo santo dia. o que será dessa mocidade?
O que vão ser no futuro?
Por onde anda a educação desse País?
novembro 8th, 2009 at 1:37 pm
mineirês ou bahianês…
a lígua nunca foi unificada, não seria agora com a reformaa..
nãaooo faloo “brasilês”, muito menos portguês, uai. Me deixe continuar com esse orgulho iludido de muitos anos, para não perder o incentivo de conversar.
ps.: melhor luau em Bh, impossivel ! parabens de coração, para todos vces !
novembro 9th, 2009 at 8:40 am
Até que fim uma pessoa contra essa reforma maluca! O nosso português pode ser complicado, difícil, mas é nosso! Os sotaques são lindos! O carioca então é demais
Tenho orgulho de ser carioca, de falar “tu”, de falar “x” no lugar do “s”. Tenho orgulho de ser brasileira!
Viva!!!
\o/
novembro 12th, 2009 at 10:28 am
Fantástico!!! Não tem jeito, cada vez que leio as coisas que você escreve, sobre o que quer que seja, fico mais fã!!! Um cara que não escreve só as musicas que agitam as nossas sagradas micaretas, que tornam-se trilhas sonoras de momentos inesquecíveis de nossas vidas, mas que diz de maneira peculiar, exata e, às vezes cruel, o que tem que ser dito, o que está engasgado nas gargantas de muitos de nós!!! Pelo amor de Deus!!!! Obrigada por escrever o que escreve e como escreve!!!
Obrigada por ser Manno Góes!!!
Lígia
novembro 12th, 2009 at 10:29 am
E Bomberinho não é um erro, não era pra ser Bombeirinho, é apelido de faculdade e nessas coisas a gente não manda, batizaram-me assim e assim ficou!!!
fevereiro 10th, 2010 at 5:17 pm
que íncrivel cara , tudo que você escreve é fantástico viu !
você está de parabéns *-*
fevereiro 18th, 2010 at 5:21 pm
Como se não tivesse “pobrema” algum a gente “continuarmos sendo” um país grande e bobo.
(’país grande e bobo’, expressão que copio do querido Eduardo Almeida Reis).
Gostei muito de seus textos, Manno. Voltarei sempre!